Indígenas relatam suposta agressão de policiais e Funai é acionada

Representante da Fundação Nacional do Índio esteve ontem em Blumenau para prestar apoio ao grupo que ocupa prédio abandonado no Vorstadt

Em 06/11/2018 03:50:00 na sessão Cidades

A situação envolvendo índios que ocupam o prédio abandonado do antigo Centro de Saúde de Blumenau, na Rua Itajaí, no bairro Vorstadt, ganhou um novo capítulo esta semana. Após o impasse por falta de uma casa de passagem para recebê-los, os indígenas alegam terem sido agredidos pela Polícia Militar. O caso teria ocorrido na quarta-feira à tarde, quando dois indígenas voltavam para o local, depois de saírem para procurar emprego.

Por medo, eles não quiseram se identificar. Afirmaram à reportagem que foram abordados por membros da equipe da Bike Patrulha na ponte próxima à Fundação Cultural. Segundo eles, os aparelhos celulares teriam sido tomados pelos militares e atirados na água. Um deles ainda teria sido agredido por um policial.

A líder da comunidade, Cunllung Vatchia, 60 anos, relata que os dois foram levados à delegacia e liberados mais tarde. Enquanto estariam na Central de Polícia, agentes teriam ido até o imóvel onde os indígenas estão instalados para buscar documentos de um dos homens. Uma discussão teria ocorrido e ela diz que teria sido xingada pelos policiais.

- Falaram que aqui não é nosso lugar, que temos que ficar no mato - afirmou.

Ainda conforme a líder, na manhã desta quinta-feira a Polícia Militar teria voltado ao prédio para saber o que houve no dia anterior. Os membros da comunidade, porém, teriam evitado conversar com a guarnição por receio. Ainda segundo as vítimas, nenhuma das três delegacias procuradas por eles teria aceitado registrar o Boletim de Ocorrência.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) foi acionada e na tarde desta quinta-feira um representante da entidade esteve em Blumenau para atender os indígenas. Os dois homens foram levados à delegacia pelo representante do órgão, para registrar o BO e fazer um exame de corpo de delito, já que um dos homens apresenta várias lesões pelo corpo, inclusive no rosto.

O representante da Funai afirmou que não pode dar declarações à imprensa, mas confirmou o episódio e que levará o caso às demais autoridades para que tudo seja esclarecido.

O que dizem os envolvidos

Polícia Militar

A Polícia Militar confirmou à reportagem que houve a abordagem. Segundo o comandante do 10º Batalhão da PM, Jefferson Schmidt, os homens estavam em atitude suspeita e ao perceberem a aproximação dos PMs teriam tentado fugir, e foram interceptados. De acordo com Schmidt, os dois teriam ainda reagido e a polícia precisou usar força para contê-los. Eles teriam sido detidos por desacato a autoridade.

O comandante disse que a situação será apurada, caso haja alguma solicitação por parte de algum órgão, uma vez que, de acordo com ele, a abordagem seguiu os procedimentos previstos. Sobre a visita na manhã de ontem, Schmidt disse atender a um pedido do Ministério Público Federal (MPF) de rondas periódicas para resguardar a segurança dos moradores.

Polícia Civil

O delegado regional Egídio Ferrari foi procurado pela reportagem para comentar a alegação de que as delegacias teriam se negado a registrar um Boletim de Ocorrência. Ferrari disse desconhecer a situação, mas afirmou que, a se confirmar, o fato fere um direito constitucional do cidadão e que o caso será apurado, caso haja uma manifestação dos fatos às autoridades.

Fonte: nsctotal



Por Olhar Cidade 06/11/2018 03:50:00

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