Ministra de Bolsonaro é acusada de sequestrar índia de aldeia em Mato Grosso

As condições em que Kajutiti Lulu Kamayurá, de 20 anos, que é filha adotiva de Damares e tinha seis anos à época, é motivo de polêmica no Xingu.

Em 31/01/2019 02:18:00 na sessão Brasil

A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, é acusada de sequestrar uma indígena de uma aldeia no norte de Mato Grosso. As condições em que Kajutiti Lulu Kamayurá, de 20 anos, que é filha adotiva de Damares e tinha seis anos à época, é motivo de polêmica no Xingu. Além disto, a adoção nunca teria sido formalizada legalmente. O fato foi denunciado pela avó biológica da indígena.
 
A revista Época, responsável por divulgar a denúncia, foi até o Xingu ouvir dos kamayurás a história da menina que foi criada pela avó paterna, Tanumakaru. Eles afirmam que Damares levou a menina irregularmente da tribo. Apesar de não lembrarem de detalhes, todos dizem que a menina deixou a aldeia sob pretexto de fazer um tratamento dentário na cidade e nunca mais voltou.
 
Os indígenas relatam ainda que Damares e Márcia Suzuki, amiga e braço direito da ministra, se apresentaram como missionárias na aldeia. "Chorei, e Lulu estava chorando também por deixar a avó. Márcia levou na marra. Disse que ia mandar de volta, que quando entrasse de férias ia mandar aqui. Cadê?", disse a avó, que afirma não ter sido informada que a menina não retornaria.
 
Quando a reportagem estava na aldeia, a ministra disse que estava "à disposição para responder às perguntas (...) sobre nossas crianças, sobre minha filha e sobre as famílias". "Não temos nada a esconder. Mas insisto: tratem tudo com o olhar especial para estes povos, para as mães e crianças que sofrem".
 
Porém, quando foi procurada em Brasília, a ministra se recusou a dar entrevista e respondeu apenas parcialmente a 14 questionamentos da revista. "Todos os direitos de Lulu Kamayurá foram observados. Nenhuma lei foi violada. A família biológica dela a visita regularmente. Tios, primos e irmãos que saíram com ela da aldeia residem em Brasília. Todos mantêm uma excelente relação afetiva".
 
Questionada se não devolveu a criança, Damares diz que "Lulu Kamayurá já retornou à aldeia. Ela deixou o local com a família e jamais perdeu contato com seus parentes biológicos". Porém, a ministra não respondeu sobre não ter adotado formalmente a indígena.
 
A reportagem completa será publicada na revista Época, desta semana, que falará sobre a a saída de Lulu Kamayurá de sua aldeia no Xingu e a atuação da ministra Damares Alves em comunidades indígenas, a partir do relato de índios que vivem nesses lugares, de famílias atendidas que defendem esse trabalho, da Funai e de documentos de investigações.

Confira aqui a publicação da Época.

Olhar Direto



Por Olhar Cidade 31/01/2019 02:18:00

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