Após mais de 20 dias, Polícia Civil ainda aguarda resposta da Funai sobre identificação de homem que vivia em situação "desumana"

Indivíduo resgatado no distrito de Primavera, em Rosana, continua hospitalizado com quadro de saúde estável. Órgão federal informou que rapaz pode ser da região de Amambai (MS).

Em 11/04/2019 10:40:00 na sessão Cidades

A Polícia Civil aguarda a identificação por parte da Fundação Nacional do Índio (Funai) do homem que vivia em situação "desumana" em uma mata e foi resgatado no dia 18 de março, no distrito de Porto Primavera, em Rosana (SP).

O delegado Ramon Euclides Guarnieri Pedrão informou na tarde desta terça-feira (9) que a Funai relatou à polícia que o indivíduo pode ser de Amambai (MS).

"Continuamos aguardando a identificação da Funai. Há a suspeita de que ele possa ser de alguma tribo dessa cidade, mas é preciso que isso se confirme e ele realmente seja identificado. Não é um caso de polícia. Nós apenas realizamos uma ação de caráter preventivo com o apoio do hospital onde ele ainda permanece", explicou Pedrão.


Locais onde o homem ficava foram descobertos durante as diligências -- Foto: Polícia Civil/Cedida

Ser humano

A pedagoga e conselheira tutelar Hortência Tavares Falci tem atuado, de forma voluntária, no caso do homem resgatado e consegue conversar um pouco com ele no idioma guarani, já que ela também fala a língua indígena.

"Ele fala muito pouco. É bem nato. Aparentemente apresenta alguma deficiência. Está consciente do que está acontecendo, mas tem momentos de oscilações. Parece um bicho acuado em alguns momentos. É tímido", afirmou Hortência.

A voluntária informou que tem visitado constantemente o homem no hospital e espera que o caso dele possa ser resolvido.

"O que eu quero é ajudar a resolver o caso desse rapaz que não tem ninguém por ele. Alguém tem de gritar por ele, pois é um ser humano", concluiu a pedagoga.

Homem foi resgatado por policiais no distrito de Porto Primavera, em Rosana -- Foto: Polícia Civil

Estado de saúde

Em nota enviada nesta terça-feira (9), o Hospital Estadual de Porto Primavera informou que o paciente deu entrada na unidade no dia 18 de março, sendo prontamente atendido pela equipe médica e multiprofissional.

"Desde então, ele permanece em observação e seu estado de saúde é considerado estável" , concluiu o hospital.

Funai

O solicitou um posicionamento sobre o caso para a Fundação Nacional do Índio e o órgão federal respondeu através da seguinte nota:

"A Funai acompanha a situação do indígena, e informa que ele será encaminhado para a comunidade Guarani de origem. A Coordenação Regional a que o município de Rosana (SP) está subordinado é a Coordenação Regional Litoral Sudeste".


Homem foi resgatado por policiais no distrito de Porto Primavera, em Rosana -- Foto: Polícia Civil
O caso

Um homem que, segundo relatos de moradores, vivia em uma mata que margeia o Rio Paraná, no distrito de Porto Primavera, em Rosana (SP), foi resgatado por policiais no dia 18 de março. Ele, que foi levado para o hospital da cidade, apresentava condições "desumanas" de higiene pessoal no momento da abordagem, segundo a Polícia Civil, e sua identidade é desconhecida.

Há cerca de quatro meses, policiais recebiam relatos informais sobre um homem que estaria residindo em meio a um local conhecido como Mata do Grêmio, se alimentando de cães mortos e de restos orgânicos que são descartados no terreno.

Além disso, também surgiram relatos de supostas tentativas de agressões e de uma agressão física consolidada - que foi registrada no ano passado - que em tese teriam sido praticadas por este homem.

Com as informações, a Polícia Civil passou a realizar diversas diligências no intuito de localizar e identificar a pessoa.

Segundo relatos informais repassados à polícia, o homem não era socializado e apresentava atraso mental.

No dia 18 de março, novas informações apontaram que o homem caminhava pela rodovia que dá acesso ao vizinho Estado do Mato Grosso do Sul.

Após confirmar a situação, a Polícia Civil solicitou apoio da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros e as equipes foram ao local, onde o homem foi encontrado.

No momento da localização, o homem estava armado com uma pequena faca de serra, que foi apreendida pelos policiais, e, apesar de no início ter apresentado comportamento hostil, logo aceitou a abordagem.

Conforme a polícia, o homem não conseguia se comunicar e repetia poucas palavras daquelas que ouvia, sempre demonstrando temor das pessoas que com ele tentavam interagir. As suas condições de higiene pessoal eram desumanas e degradantes, também segundo a Polícia Civil.

Os policiais entraram em contato com o Ministério Público local e com a Secretaria Municipal de Saúde e o homem acabou encaminhado ao hospital para receber cuidados médicos e ser avaliada a sua possível internação.

Uma equipe policial coletou as impressões digitais do homem para tentar a sua posterior identificação.

Inicialmente, a Polícia Civil também cogitava a possibilidade de o homem, que demonstrava evidente situação de vulnerabilidade, ter origem paraguaia ou boliviana.

Fonte: G1



Por olharcidade3@gmail.com 11/04/2019 10:40:00

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